Olho para o que me rodeia, com olhos de ver? Não...vejo como que de relance, não observo. Oiço vozes, ruído, música...irrelevante. Restrinjo as minhas capacidades visual e auditiva a uma captação sequencial de imagens e som...seguidas de um envio de sinais ao cérebro. Limito estes sinais. Eles apenas me dão consciência que não estou sozinho e tenho um mundo que me rodeia, nada mais. Este é o único impacto que teêm na minha mente emocional e na racional. Estas duas entraram numa simbiose sensorial, equilibrando-me de alguma forma que desconheço...mas sinto...e é bom. Quero o que sinto, sinto o que quero. Estou numa estagnação mental. O facto de saber que esta é temporária não me afecta, presentemente. Pois a minha consciência reside nos limites que eu próprio lhe impus.
Sinto que me domino. Sinto que possuo o que é meu por defeito mas que no entanto na detecção do menor perigo mental, é-me removido o direito e o meu papel é trocado. Passo a ser controlado pela incoerente e auto-destrutiva consciência tanto emocional como racional, mais uma vez em cooperação, mas com um diferente objectivo – vulnerabilizar-me. Como posso manter este domínio? Como posso controlar o que sinto e penso? Como posso inibir-me do medo, ira, ansiedade. Controlar-me. Poder sentir e pensar o que quero. Como estou agora...como posso faze-lo quando quero e mais preciso?
Nestas situações sou apoderado pelas emoções. As mãos suam-me e tremem, o estômago encolhe, a garganta estreita, começo a hiperventilar, o coração acelera, sinto um sufoco geral. As emoções envenenam-me o pensamento, cortam-me a concentração. A minha atenção é desviada do assunto pertinente, do meu suposto objectivo na situação. O meu único pensamento reside na forma de satisfazer o único desejo que tenho na altura...escapar, pois controlar deixou de ser uma opção válida, pelo menos na minha mente envenenada. E se não tiver para onde fugir? Não confio em mim próprio para resolver a situação. Não me sinto capaz. Não sou capaz. Mas quero ser. Quero conseguir controlar o que é meu, o que sou. Quero manter a calma, a serenidade...e ver-me capaz de fazer o que é suposto fazer, no meu intelecto, no meu pensamento racional, purificado de emoções negativas. Quero poder.
05 de Abril de 2010
Incrível descrição!
ResponderEliminarO próprio leitor consegue sentir a ansiedade através do quadro que pintas da situação, pela qual todo o humano já passou. Ou passa, por vezes.
Não quero que sintas a ansiedade, quero que saibas como a sinto. Ela é má o suficiente. Mas bastante abundante no mundo em que vivemos, eu apenas sei como descrevê-la talvez...Obrigado pelo comentário Paulo "Fruto Peculiar" Melancia! ;P Compreendes-me.
ResponderEliminarForça amor estamos nisto juntos! Continua a escrever, tens todo o meu apoio! És o meu orgulho.
ResponderEliminarObrigado "Anónimo" I Love you honey bunny, anseio para te ter comigo novamente@
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