Os nossos avos, os nossos pais, os 'cotas', são preciosas pérolas de memórias da vida. Como tais, merecem um respeito único. Pois, ao contrário de nós, não somente aprenderam a teoria da vida, como fizeram, refizeram e interiorizaram a sua prática, a experimentação. E nesta última está o conteúdo 'vital' no seu sentido literal. Nós jovens sabemos as palavras todas, as definições, as teorias, que tanto dão que escrever e discutir. Mas nenhum conhecimento está livre de ficar obsoleto, na verdade tudo o que aprendemos se torna obsoleto, pois a vida contradiz-nos a toda a hora. E quando achamos que temos uma arma que nos faz invencíveis, somos lançados para um tiroteio armados com uma faca. E por isso, muito frequentemente, somos derrotados, porque só estamos preparados ate ao instante em que ficamos de caras com a situação. Nessa altura é a lei da sobrevivência, e quando acabarmos teremos aprendido um pouco com a derrota, e dar-nos-emos conta que não percebíamos absolutamente nada sobre o assunto. Se não vivermos, não sabemos nada. Sem prática, a teoria é inútil. Resumindo e aprendendo: nunca te aches suficientemente preparado, parado à espera que o tempo traga a maldita situação. A preparação é mais que saber para sobreviver, é viver para saber. É experimentar pouco a pouco, e não ficar à espera, à espera que o tempo resolva os problemas aos quais a cobardice nos faz virar costas.
O medo de falhar é paralisante, sem dúvida. Mas o arrependimento será muito mais perturbador e consumir-nos-à para sempre. E cada oportunidade perdida será uma folha que cai da árvore da vida, folhas que caem uma a uma, umas mais fortes que outras duram mais tempo, mas ao ver as outras cair, sabem que cairão também. E essa árvore viverá apenas para morrer, e ao cair da última folha, no último suspiro não sentirá mais nada senão o arrependimento de tudo aquilo que não fez, daquilo que não viveu, sabendo que vai morrer sem nunca ter vivido, mesmo tendo tido oportunidade de o fazer. É preciso acreditar para tentar, é preciso tentar para conseguir, é preciso conseguir para saber, é preciso saber para viver e ser feliz. E quando também formos velhos teremos filhos e netos a quem poderemos contar histórias, histórias das oportunidades que aproveitámos e da vida que orgulhosamente vivemos.
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