segunda-feira, 22 de março de 2010

Escolho Poder Escolher

A liberdade é algo tão alusivo. Sinto-me livre, faço tudo o que quero! Não, não fazes, se decides dar algum sentido à tua vida vais ter de te desfazer do conceito puro de liberdade. A liberdade é toda ela condicionada, manhosa. Como que negociadora. O Homem como ser inteligente, tem a capacidade de escolha, e mais importante, racionalização de escolha. Avaliar através de critério pessoal as opções de que disponibiliza, que uso dar à liberdade.

Mas como qualquer regra, tem de existir um equilíbrio, a racionalização sofre a influência do instinto, através dos traços característicos que movem um Homem sem pensar. A curiosidade, o desejo, a tentação, a fraqueza, a coragem. O proibido mais apetecível. Chegamos ao ponto em que a racionalização fica com o papel de mediar o instinto. Mas o que estou a fazer?

Nisto, o Homem tem a liberdade como uma pressão e conflito constantes no cérebro. Reflexão, sentimento, tentativa, resultado. Resultado este definido por mais uma sequência de eventos. Jogadas matemáticas com mais incógnitas que valores.

Esta é a maravilha da vida, teste da nossa mente face a situações, tomada de decisão, escolha pensada e sentida de acções. O nosso caminho não é linear, sabemos onde começa, não sabemos o que vamos encontrar. Utilizamos a nossa inteligência e instinto para seguir não o melhor caminho, mas o caminho que nos parece mais certo. Pois o ideal é fazer o que queremos e não o que é suposto. O caminho sou eu que o traço, a caminhada é minha.

O mundo está repleto de variáveis. Oportunidades ao virar de cada esquina. Brinca com a tua liberdade, apanha-te com o maior número de opções. Pensa, sente, faz e não te arrependas. Não te esqueças que isto tudo é uma sequência, com uma nova oportunidade surgem mais outras suficientes. Mas não te abdiques dessa liberdade, não faças da tua única escolha a doação de responsabilidade pela tua vida ao Tempo, parecendo o mais reconfortante, é o fim do que podes chamar viver, passas a sobreviver. Pois o Tempo sim, é linear, e levar-te-à até não mais...até ser-te dado o bilhete de saída e dares a tua viagem por terminada. Tirando o encanto da vida, devolvendo a vida a quem te a deu. Tornando-te num fardo ambulante da Natureza, cujas únicas marcas que deixarás neste mundo, serão as letras na lápide que mostram um nome de ninguém, irrelevante, desconhecido. Ninguém pergunta, ninguém questiona, ninguém se importa. Rejeitaste a única coisa que poderias ter e tudo te daria. Escolheste não ser livre. Não eras ninguém.


20 de Março de 2010

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