Sinto-me sozinho. Fecho os olhos e vejo-me a mim mesmo como num reflexo negro com contraste. Vejo vazio, mas o vazio é o que me rodeia ou é o que me compõe...neste momento parece irrelevante. Se sou um vazio, não sou nada, sou uma sombra do que podia ser. Se o vazio for o que me rodeia, então vou ser consumido e serei uma sombra do que era.
Não quero, a solidão consome-me, quero abrir os olhos! Não abras. Estás a procurar no sitio certo. Caminha por entre os mistérios da tua mente. Não sei o que procuro, só quero abrir os olhos. Mas não abras, olha em volta, por entre esse negro que te parece envolver, é uma ilusão, ele não te envolve, ele apenas te amedronta e obriga-te a fechares-te como uma concha, é suposto, tens de sentir o Medo. Respira fundo, recorre ao teu coração, emociona-te. Não aguento mais. Aguenta, desmascara essa ilusão, vê pela barreira. Mostra o Ódio que sentes pela solidão. Conseguiste afastá-la. Mas ainda a sentes, portanto agora Tranquilidade. Já consegues ver algo, imagens desfocadas, continua a andar, continua a usar as tuas emoções. As imagens estão mais nítidas. Vês aqueles que te fazem sentir tantas emoções ao mesmo tempo, através dum único sentimento, Amor. Vês aqueles que amas, eles estão sempre aí. Porquê? Sabes a resposta, a mente é tua.
É então que encontrei alguém, reconheço mas não acredito. Aproximo-me e olho incrédulo. Todas as emoções me vêem à tona.. sinto tudo. Sinto-me vivo outra vez. A solidão desaparece. Já posso abrir os olhos? Ainda não, primeiro apercebe-te. Vejo uma inversão de cores, todo o vazio desapareceu. A minha cor mudou igualmente. Sinto-me preenchido, e já não me sinto só. Então agora abre os olhos e apercebe-te do que foste à procura e acabaste de encontrar...
...Encontrei-me a mim próprio.
19 de Março de 2010
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