sábado, 27 de março de 2010

O Meu Código

Como definimos nós o mal? Como podemos dizer que certa pessoa é "má"? Em que nos baseamos? - Num código ético e moral universal, um monopólio de regras. Todos vivemos num mesmo sistema regido pelas mesmas leis. É esta a forma de organizar uma sociedade? Dar-lhes um objectivo comum. Estabelecer uma união universal, estabelecer a paz. A ironia está entre este raciocínio tão objectivo, e a realidade como ela é, em que a paz é mantida através de guerra, criando uma drástica desproporcionalidade entre o tempo de guerra e o tempo de paz.

Sendo este o caso, o código existe - facto - mas é cumprido?

O ser humano tem a capacidade de pensamento autónomo e liberdade de se questionar sobre tudo, pois a personalidade define a opinião, esta por sua vez define a acção. O Homem, neste raciocínio, muitas vezes depara-se com um desacordo com o código. Vê-se mais uma vez obrigado a ponderar uma decisão, o que se diz a si próprio ou o que lhe foi dito, imposto - dilema.

Mas um ser humano com objectivos e caminho escolhido vai atrás do que deseja. Mas mais ainda, tentando colaborar com a forma como o Universo funciona, ele vai à procura duma terceira opção, que crie o equilíbrio. Uma decisão que corresponde tanto aos seus interesses como aos do mundo.

Esta opção aparenta existir, mas é apenas uma ilusão. É o ser humano, amedrontado, tentando libertar-se dessa responsabilidade. Querendo que as coisas sejam feitas apenas com ajuda do Tempo. A questão é que o equilíbrio não está na escolha, está na lei de acção-reacção da escolha. O Homem ilude-se, tomando o papel do Universo, esquecendo-se do papel que desempenha. Ele não pode julgar a acção, ele está encarregue apenas de escolher a acção a desenvolver, que só por si é uma liberdade bastante vasta, se bem que limitada.

O desenvolvimento desta questão não levará a solução alguma, levará sim a um possível método. Mas o próprio método se pode tornar numa questão. Não há forma de mudar como o sistema funciona. Há forma sim de tentar perceber como ele funciona, e tentar jogar da melhor forma possível com as decisões com que nos deparamos, com base nas nossas regras, regras individuais, coerentes, inteligentes, racionais, emocionais.

De forma a atingir este fim, necessitas de estabelecer o único equilíbrio sobre o qual tens poder. O teu equilíbrio mental, entre a racionalização e a emoção. Estas palavras são facilmente escritas, o seu significado e a concretização é que são complexas. É necessário que cada individuo se conheça a si próprio, através dum processo longo e carregado de vivências e reflexões. No fim desse processo, vais-te olhar ao espelho e verás para além da tua imagem, verás o teu intelecto. E vais-te aperceber que controlas aquilo que é sempre o mais difícil de controlar, a tua própria mente.

Controla a tua mente e o mundo será teu.


24 e 27 de Março de 2010

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