segunda-feira, 22 de março de 2010

O Fim

Falo, quero exprimir-me. Quero ser entendido, mas as minhas palavras parecem ser vazias. Sou mudo, e quem me ouve surdo é. Não parece surtir efeito...Falo o que sinto, falo o que vivo, parece tão inútil, sinto-me impotente. Estou numa guerra em que as palavras são as minhas únicas armas, mas o inimigo é imune. Porque não te pesam as palavras? Não estou a utilizar o vocabulário certo? Não estou a expressar emoção suficiente? Porque não me ouves?

Vejo o desmoronar e estou acorrentado, sinto que tudo cai à minha volta. Sinto a minha dor e a de todos, deixem-me ser eu a tropeçar no perigoso caminho que escolhem. Deixem-me acolher com os vossos erros. O meu coração está agarrado aos vossos. Não suporto ver-vos sofrer. Como é doloroso ter a visão como único sentido neste contexto. Sinto a miséria, vejo a miséria. Tento avisar mas eu não existo. Existo apenas quando mais nada existir, e o que resta de mim é levado pelo tempo...aos poucos, toda a dor, todo o remorso, toda a angústia. Todo o meu coração desfeito em pedaços. Pedaços que são os vossos, pedaços que fizeram de mim o que era, no ventre dos que me amavam.


21 de Março de 2010

2 comentários:

  1. "Sou mudo, e quem me ouve surdo é": Brilhante!

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  2. Prefiro a "Pedaços que são os vossos, pedaços que fizeram de mim o que era, no ventre dos que me amavam." :P

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